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22 Out 2008

Finalmente o Sangue Foi Estatizado!

Escrito por 

Diante de tão bela e humanitária declaração, concluímos que, no Brasil das Mil Estatais, o lucro é sempre político e o prejuízo sempre econômico.

 

Eu sou daqueles poucos que não tem a menor dúvida de que o Brasil é uma social democracia pervertida.
Como sabemos, em sociais democracias o cidadão é espoliado por impostos e atormentado pela forte intervenção do Estado, mas ao menos recebe uma série de bons serviços gratuitos: assistência médica e dentária, educação, salário-desemprego, etc. Mas o Brasil acabou se transformando na Alemívia: impostos da Alemanha, serviços da Bolívia.
Nossos monopólios estatais, grandes cabidões de empregos de políticos e assolados por constantes desvios de verbas, proliferam mais do ratazanas em Copacabana. Só o presidente Ernesto Geisel, o Estatizante, criou mais de 150 estatais! E seu sucessor, João Figueiredo, uma vez indagado pela mídia quantas estatais tinha o Brasil, foi sincero: disse que não fazia a menor idéia. Dito pelo patrão das empresas, isto é algo simplesmente espantoso!
 Embora não tenham ainda sido criadas a feijãobras e a arrozbras, foi finalmente criada a sanguebras, perdão: a hemobras, pois não irá criar um banco de sangue para atender as necessidades dos vampiros do SUS, mas sim produzir hemoderivados como o plasma, soro, albumina, etc.
A justificativa para sua criação é sempre a mesma, always the same old shit: reduzir a dependência nacional das execráveis multinacionais. Só não é considerada execrável a multinacional-nacional, como é o caso de uma empresa que, no Brasil, atende pelo nome de petrobras, mas, em países do terceiro mundo em que se instalou e em que exerce deplorável exploração imperialista, recebe o pseudônimo de brazpetro (Brazilian Petrol). Desse modo, não será de causar espécie se, futuramente, for criada mais uma multinacional-estatal: a brashemo, e esta mesma venha a sugar o sangue de países pobres do terceiro mundo.
Criada em 2005 e, na ocasião, orçada em R$ 327.000.000 (Trezentos e vinte e sete milhões de reais) - uma merrequinha, convenhamos! - a hemobras (Empresa Brasileira de Hemoderivados e Biotecnologia) deverá produzir 500.000 litros de plasma por ano e diz o governo que isto representará uma “substituição de importados por similares nacionais” reduzindo as despesas em R$ 400.000.000, 00 (Quatrocentos milhões de reais) por ano.
Não questiono o que diz o governo, questiono o que ele não diz: Qual o custo das mordomias, dos desvios de verbas e do desvairado empreguismo gerados pela hemobras? De qualquer modo, criada em março de 2005, só em julho de 2008 começaram as obras de terraplanagem para a fábrica em Goiana (PE). Mas por que em Pernambuco, tão distante do Rio, São Paulo, Belo Horizonte, grandes centros consumidores dos hemoderivados e onde há o maior número de hemofílicos?!
Ora, por uma razão muito simples. Porque o Ministro da Saúde na ocasião da criação era Humberto Costa e ele - assim como o Supremo Manda Otário da nação – era e é pernambucano. Mas segundo o presidente da hemobras, Paulo Baccara – não sei se é também pernambucano ou se é parente da Roleta - “a decisão foi tomada pelo foco desse governo na responsabilidade social. O desenvolvimento e o conhecimento têm que ser levados para outras regiões do país” (Jornal do Commercio, 29/9/2008). Falou bonito! Beleza Pura!
Diante de tão bela e humanitária declaração, concluímos que, no Brasil das Mil Estatais, o lucro é sempre político e o prejuízo sempre econômico.
Mas segundo ainda Baccara, a grande distância entre fonte produtora dos hemoderivados e os grandes centros consumidores dos mesmos, só aumentará o preço dos bens com o custo de transporte em apenas míseros 8%. Ora quem faz a primeira afirmação relativa à “responsabilidade social” marcada pela irracionalidade econômica, desperta inevitavelmente a suspeita quanto à veracidade da segunda.
 Mas seguindo esse mesmo critério estratégico, por que não fazer uma estatal de peças de computador, a chipsbras, no sertão de Quixaramobim ou em Brejo das Almas Penadas? Arre égua!

 

Eu sou daqueles poucos que não tem a menor dúvida de que o Brasil é uma social democracia pervertida.
Como sabemos, em sociais democracias o cidadão é espoliado por impostos e atormentado pela forte intervenção do Estado, mas ao menos recebe uma série de bons serviços gratuitos: assistência médica e dentária, educação, salário-desemprego, etc. Mas o Brasil acabou se transformando na Alemívia: impostos da Alemanha, serviços da Bolívia.
Nossos monopólios estatais, grandes cabidões de empregos de políticos e assolados por constantes desvios de verbas, proliferam mais do ratazanas em Copacabana. Só o presidente Ernesto Geisel, o Estatizante, criou mais de 150 estatais! E seu sucessor, João Figueiredo, uma vez indagado pela mídia quantas estatais tinha o Brasil, foi sincero: disse que não fazia a menor idéia. Dito pelo patrão das empresas, isto é algo simplesmente espantoso!
 Embora não tenham ainda sido criadas a feijãobras e a arrozbras, foi finalmente criada a sanguebras, perdão: a hemobras, pois não irá criar um banco de sangue para atender as necessidades dos vampiros do SUS, mas sim produzir hemoderivados como o plasma, soro, albumina, etc.
A justificativa para sua criação é sempre a mesma, always the same old shit: reduzir a dependência nacional das execráveis multinacionais. Só não é considerada execrável a multinacional-nacional, como é o caso de uma empresa que, no Brasil, atende pelo nome de petrobras, mas, em países do terceiro mundo em que se instalou e em que exerce deplorável exploração imperialista, recebe o pseudônimo de brazpetro (Brazilian Petrol). Desse modo, não será de causar espécie se, futuramente, for criada mais uma multinacional-estatal: a brashemo, e esta mesma venha a sugar o sangue de países pobres do terceiro mundo.
Criada em 2005 e, na ocasião, orçada em R$ 327.000.000 (Trezentos e vinte e sete milhões de reais) - uma merrequinha, convenhamos! - a hemobras (Empresa Brasileira de Hemoderivados e Biotecnologia) deverá produzir 500.000 litros de plasma por ano e diz o governo que isto representará uma “substituição de importados por similares nacionais” reduzindo as despesas em R$ 400.000.000, 00 (Quatrocentos milhões de reais) por ano.
Não questiono o que diz o governo, questiono o que ele não diz: Qual o custo das mordomias, dos desvios de verbas e do desvairado empreguismo gerados pela hemobras? De qualquer modo, criada em março de 2005, só em julho de 2008 começaram as obras de terraplanagem para a fábrica em Goiana (PE). Mas por que em Pernambuco, tão distante do Rio, São Paulo, Belo Horizonte, grandes centros consumidores dos hemoderivados e onde há o maior número de hemofílicos?!
Ora, por uma razão muito simples. Porque o Ministro da Saúde na ocasião da criação era Humberto Costa e ele - assim como o Supremo Manda Otário da nação – era e é pernambucano. Mas segundo o presidente da hemobras, Paulo Baccara – não sei se é também pernambucano ou se é parente da Roleta - “a decisão foi tomada pelo foco desse governo na responsabilidade social. O desenvolvimento e o conhecimento têm que ser levados para outras regiões do país” (Jornal do Commercio, 29/9/2008). Falou bonito! Beleza Pura!
Diante de tão bela e humanitária declaração, concluímos que, no Brasil das Mil Estatais, o lucro é sempre político e o prejuízo sempre econômico.
Mas segundo ainda Baccara, a grande distância entre fonte produtora dos hemoderivados e os grandes centros consumidores dos mesmos, só aumentará o preço dos bens com o custo de transporte em apenas míseros 8%. Ora quem faz a primeira afirmação relativa à “responsabilidade social” marcada pela irracionalidade econômica, desperta inevitavelmente a suspeita quanto à veracidade da segunda.
 Mas seguindo esse mesmo critério estratégico, por que não fazer uma estatal de peças de computador, a chipsbras, no sertão de Quixaramobim ou em Brejo das Almas Penadas? Arre égua!
Mario Guerreiro

Mario Antonio de Lacerda Guerreiro nasceu no Rio de Janeiro em 1944. Doutorou-se em Filosofia pela UFRJ em 1983. É Professor Adjunto IV do Depto. de Filosofia da UFRJ. Ex-Pesquisador do CNPq. Ex-Membro do ILTC [Instituto de Lógica, Filosofia e Teoria da Ciência], da SBEC [Sociedade Brasileira de Estudos Clássicos].Membro Fundador da Sociedade Brasileira de Análise Filosófica. Membro Fundador da Sociedade de Economia Personalista. Membro do Instituto Liberal do Rio de Janeiro e da Sociedade de Estudos Filosóficos e Interdisciplinares da Universidade. Autor de Problemas de Filosofia da Linguagem (EDUFF, Niterói, 1985); O Dizível e O Indizível (Papirus, Campinas, 1989); Ética Mínima Para Homens Práticos (Instituto Liberal, Rio de Janeiro, 1995). O Problema da Ficção na Filosofia Analítica (Editora UEL, Londrina, 1999). Ceticismo ou Senso Comum? (EDIPUCRS, Porto Alegre, 1999). Deus Existe? Uma Investigação Filosófica. (Editora UEL, Londrina, 2000). Liberdade ou Igualdade (Porto Alegre, EDIOUCRS, 2002).

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