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15 Jan 2014

A SORTE ESTÁ LANÇADA!

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Não há como fazer-se histórico, sem atravessar um ou outros mais rubicões. A lealdade de acompanhar seus comandados nos riscos da peleja, é a diferença entre a canalhice do oportunismo majoritário, acocorado na espreita do aproveitamento, e os louros merecidos da memória de um grande e corajoso vulto histórico.

 

Quando Júlio César atravessou o Rubicão, no ano 49 a.C., em 10 de janeiro do calendário romano, em perseguição a Pompeu, violou a lei e tornou inevitável o entrevero. Sua famosa e destemida exclamação ficou para sempre: Alea jacta est ! (A sorte está lançada! )

O histórico Rubicão, um curso d’água de pouca profundidade, hoje identificado com o pequeno rio Fiumicino, separava a Gália Cisalpina dos domínios territoriais da então cidade de Roma, posteriormente da Província d’Itália e, hoje, situado na Província de Forli-Cesena.

Pois bem, pelo direito romano na fase republicana, era vedado a qualquer general, em retorno de campanha militar ao norte de Roma, a travessia do Rubicão junto com suas tropas. Tal proibição, teria sido um dos fatores de segurança e estabilidade contra possíveis manobras de chefes militares contra o poder central republicano. Com Júlio César, o Rubicão foi atravessado contra a lei, sob o sopro da popularidade de grande general vitorioso, pela força de seu notável carisma político e de sua apreciável capacidade de comando.

Seu assassinato a punhaladas em pleno Senado, já como formidável imperador, não fez justiça aos seus momentos de glória, a favor de Roma e de seu povo.

Os da velha guarda, que tiveram a sorte de estudar Latim, leram e decoraram muitos trechos da magistral obra de Júlio César sobre a conquista romana da Gália (DE BELLO GALLICO) e a descrição geográfica do amplo cenário de sua memorável campanha. Omnia Galia divisa parte tres...

A frase "atravessar o Rubicão", até hoje é usada para referir-se a qualquer um que tome uma decisão arriscada de maneira irrevogável, sem possibilidade de retorno.

Não há como fazer-se histórico, sem atravessar um ou outros mais rubicões. A lealdade de acompanhar seus comandados nos riscos da peleja, é a diferença entre a canalhice do oportunismo majoritário, acocorado na espreita do aproveitamento, e os louros merecidos da memória de um grande e corajoso vulto histórico.

A lembrança do dia de hoje, o da travessia do Rubicão, foi assoprada por uma musa que se diz “Quitéria”. Em consideração à honra de sua aparição, em sonho fantasmagórico, ao som de gritos, clarins, sabres, relinchos, rojões e troar de canhões, mesmo não tendo sido possível captar tudo com exatidão, lembro-me muito bem de seu derradeiro aviso: depois da Copa, a sorte será lançada...

Jorge Geisel

Advogado especialista em Direito Marítimo com passagem em diversos cursos e seminários no exterior. Poeta, articulista, membro trintenário do Lions Clube do Brasil. É um dos mais expressivos defensores do federalismo e da idéia de maior independência das unidades da federação.

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