Seg05252020

Last updateDom, 01 Set 2013 9am

23 Mar 2020

IMPLANTAÇÃO DO SOCIALISMO NO BRASIL - 1a TENTATIVA

Escrito por 

As formas de tomada do poder, embora possam ser mescladas, enfatizam ora a revolução violenta, ora a via pacífica.

 

De 1935 até 1978, o Brasil sofreu três tentativas de imposição do regime socialista, antessala do propósito final dessas revoluções: o comunismo - sociedade sem classes e sem Estado. Foram movimentos de concepção marxista, cujos primeiros passos seriam a conquista do poder e a implantação de uma ditadura democrática. Ou seja, um governo ditatorial, formado por uma frente popular constituída pelo proletariado, campesinato, militares, estudantes, intelectuais e burguesia nacionalista. Seus objetivos seriam a destruição do Estado burguês e a imposição da ditadura do proletariado (partido único), a fim de implantar o regime socialista . Hoje, está em andamento a quarta tentativa, dessa vez pautada nos ensinamentos de Antônio Gramsci, que propõe controlar primeiro a sociedade para, só depois, tomar o poder e destruir o Estado burguês.
As formas de tomada do poder, embora possam ser mescladas, enfatizam ora a revolução violenta, ora a via pacífica. No Brasil, a primeira tentativa (1935) foi pela revolução violenta, modelo bolchevista-leninista, por meio de uma insurreição armada. A segunda usou a via pacífica, modelo pós Stalin empregado pela URSS na linha da coexistência pacífica com as potências democráticas, implantada por Khrushchov em 1956 e cujo desenlace, no Brasil, ocorreu em 1964. A terceira tentativa (1960-1978) adotou a revolução violenta, por meio da luta armada prolongada de modelo maoísta ou uma de suas variações. A quarta tentativa é liderada pelo PT e orientada pelo Foro de São Paulo, seguindo a linha gramcista de revolução pacífica e gradual.
O trabalho de massa é estratégia comum a todas as formas de tomada do poder. Suas finalidades são: incutir a ideologia; reeducar, organizar e liderar a sociedade; promover a descrença nos valores morais e cívicos tradicionais e no regime em vigor; influir no governo e no sistema jurídico; enfraquecer as defesas do Estado; e controlar sua administração, tudo visando preparar ou anestesiar a sociedade para o novo regime. Da mesma forma, o excesso de liberdades e direitos, agravado por um mínimo de responsabilidades e deveres, é vantajoso ao movimento revolucionário, antes de tomar o poder, pois quanto menor a autoridade do Estado e mais grave o cenário de indisciplina e agitação, ou seja, quanto mais débil a democracia, melhor para o êxito da revolução.
No Brasil, a primeira tentativa  teve origem com a criação do Partido Comunista Brasileiro (PCB) em 1922, que se filiou à Internacional Comunista (IC)  de 1919, após aceitar suas 21 condições  de adesão. Dentre elas, pasme o leitor, constava que os partidos filiados deveriam: promover a propaganda e agitação entre as tropas; denunciar o social-patriotismo e o social-pacifismo; e obedecer às decisões do Congresso e do Comitê Executivo da IC. Portanto, o PCB, nascido oficialmente com o nome de Seção Brasileira da Internacional Comunista (1922-1934), era submisso ao Partido Comunista da URSS (PCUS). Essa subserviência e internacionalismo afastaram o PCB das classes de maior peso político, bem como das Forças Armadas, para quem patriotismo e paz social sempre foram e serão cláusulas pétreas.
Nos anos 1920, o cenário nacional era marcado por intensa atuação de lideranças civis e jovens militares (Tenentes), que pleiteavam profundas reformas na ordem política, econômica e social do País. Queriam a modernização, industrialização e ascensão de novas lideranças para substituir ou limitar o espaço político monopolizado pela antiga oligarquia agrária. As disputas não tinham cunho ideológico e, por isso, foram negligenciadas pelo PCB, perdendo a oportunidade de ocupar espaços que fizeram falta à insurreição em preparo.
A IC cooptou Luiz Carlos Prestes, pois precisava de um nome de projeção nacional na liderança da insurreição armada. Em 1931, ele foi para Moscou onde ficou até 1935, estudando a doutrina e se preparando para conduzir a revolta que ficaria conhecida como Intentona Comunista. Regressou ao Brasil em abril de 1935 para assumir a direção do PCB,

 

[1] A terceira tentativa - luta armada nos anos 1960 e 1970 - foi realizada por cerca de 30 grupos armados autônomos e sem um comando central, portanto, sem políticas e estratégias unificadas para implantar o regime socialista, caso tomassem o poder.

[2] Referência dessa pesquisa: AUGUSTO, Agnaldo Del Nero (coordenador); e MACIEL, Lício e NASCIMENTO, José Conegundes do (organizadores). ORVIL - Tentativas de Tomada do Poder (Parte 1). São Paulo: Ed Schoba, 2012.

[3] As Internacionais Socialistas, resumidamente, eram congressos que reuniam as correntes de esquerda de vários países para definir diretrizes de expansão mundial do movimento socialista. Foram realizadas em 1864, 1889, 1919, 1921 e 1938. A de 1919 foi denominada Internacional Comunista ou Kommunistische Internationale (KOMINTERN) e determinou a reunião dos partidos comunistas de todo o mundo para a luta de implantação do comunismo, subordinando-os ao Partido Comunista da União Soviética.

[4]CARONE, Edgard. A Internacional Comunista e as 21 condições. Publicado em 2003. (www.proletariosmarxistas.com/docs/Publicaco…). Acesso em 18-12-2015.

 

Luiz Eduardo Rocha Paiva

O General de Brigada Luiz Eduardo Rocha Paiva nasceu na cidade de Niterói (RJ) em 07 de setembro de 1951.

Foi graduado Oficial da Arma de Infantaria em 1973, na Academia Militar das Agulhas Negras e passou à reserva remunerada em 2007, com mais de 40 anos de serviço ativo.

Possui cursos dos níveis de graduação, mestrado e doutorado na área de Ciências Militares, respectivamente, na Academia Militar das Agulhas Negras, Escola de Aperfeiçoamento de Oficiais e Escola de Comando e Estado-Maior do Exército.

Pós-Graduação MBA Executivo do Exército Brasileiro – Especialização – na Fundação Getulio Vargas – RJ.

Foi instrutor na Academia Militar das Agulhas Negras, na Escola de Aperfeiçoamento de Oficiais e na Escola de Comando e Estado-Maior do Exército.

Em 1985, estagiou na 101ª Divisão de Assalto Aéreo do Exército dos EUA, onde fez o Curso de Assalto Aéreo.

Em 1992/1993, foi Observador Militar das Nações Unidas, na missão de paz em El Salvador – América Central.

Em 1994/1995 fez o Curso de Altos Estudos Militares da Escola Superior de Guerra do Exército Argentino.

Em 1998/1999, foi comandante do 5º Batalhão de Infantaria Leve em Lorena – SP, unidade da Força de Ação Rápida do Exército. Na oportunidade, comandou missão de pacificação no sul do Pará em conflito entre o MST e fazendeiros locais.

Como oficial-general foi gerente do Programa Excelência Gerencial do Exército, Comandou a Escola de Comando e Estado-Maior e foi Secretário-Geral do Exército.

Recebeu dezessete condecorações nacionais e seis estrangeiras.

É professor emérito da Escola de Comando e Estado-Maior do Exército, membro da Academia de História Militar Terrestre do Brasil, Diretor Da Área de Geopolítica e Conflitos do Instituto Sagres, em Brasília, e Conselheiro da Comissão de Anistia do Ministério da Mulher, Família e Direitos Humanos, cargo não remunerado.

É palestrante e escreve artigos sobre geopolítica, estratégia, liderança, política nacional e a Força Expedicionária Brasileira, publicados em livros, jornais e revistas nacionais e estrangeiras. 

É casado com a Sra. Nadia Maria Rocha de Lima Paiva, há 45 anos, com quem tem dois filhos: Rodrigo de Lima Paiva - Ten Cel de Infantaria - e Fabio de Lima Paiva - Analista Sênior do Banco do Brasil - e quatro netos. 

Deixe um comentário

Informações marcadas com (*) são obrigatórias. Código HTML básico é permitido.

  • Copyright © 2007. www.rplib.com.br . Todos os direitos reservados.

    Republicação ou redistribuição do conteúdo do site RPLIB é permitido desde que citada a fonte. O site RPLIB não se responsabiliza por opiniões, informações, dados e conceitos emitidos em artigos e colunas assinados e nos textos em que é citada a fonte.