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03 Jul 2020

ACORDE E VEJA O QUE O GLOBALISMO QUER FAZER COM VOCÊ

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Em matéria de El País, de 4 de abril deste ano, intitulada Crises globais exigem soluções globais: é hora de criar uma Constituição mundial?

 

Imagine que você esteja em 2030, vivendo em um mundo já então completamente globalista, multilateral, politicamente correto, obediente à titia ONU e sob a tutela de uma Constituição Mundial, o Livro Vermelho do século XXI. Em outras palavras, suponha que você, mesmo tendo nascido em um país específico, seja agora um cidadão da nova ordem mundial, condição que lhe meteram goela abaixo. Que tal rascunhar como será a sua vida?

Se você é branco, saiba que já nasceu com uma baita dívida “histórica” que será forçado a pagar; se avistar uma mulher bonita vindo em sua direção e não desviar o olhar quando ela passar por você, muito possivelmente será acusado de crime de assédio; se, respeitosamente, apenas elogiar a sua beleza, provavelmente passará anos em uma prisão, condenado por assédio seguido de tentativa de estupro; se pedir um bife em um restaurante, hordas de lagartas ambientalistas na forma de seres humanos o denunciarão ao Ministério da Lagartização Mundial, cujo objetivo é forçar todo e qualquer ser humano a ser um vegetariano e, preferivelmente, um vegano; se arrancar a tiririca do seu jardim, será julgado, provavelmente por uma sueca feia e furiosa, agora na casa dos trinta que, bancada por George Soros e seus comparsas, ficou famosa em 2019, quando ainda era uma pirralha.

Além disso, se você for avesso a relacionar-se com pessoas do mesmo sexo, será autuado por homofobia e poderá amargar a pena de dividir uma cela com algum cuspidor; se for homossexual, negro, mulher ou índio, mas não for de esquerda, será tachado de traidor da causa; se beber um inocente copo de leite, vão meter o dedo em sua cara por ser um abominável supremacista branco; se afirmar que os culpados por crimes são os próprios criminosos e que eles devem ser punidos, quem vai ser apenado é você, por falta de sensibilidade social; se acender um inocente cigarro, ou uma simples fogueira para festejar São João na frente de alguém, vão acusá-lo de incendiário que deseja queimar a Amazônia e de assassino do meio ambiente; se tiver a petulância de fazer o sinal da cruz ao passar na frente de uma igreja, será acusado de intolerância religiosa e gritarão, com um megafone em seus ouvidos, que o Estado é laico e que esse seu gesto pode ofender quem não é católico; se for homem e discordar de alguma colega em um debate qualquer, atirarão em sua cara que é misógino; se seguir os princípios morais que seus pais e avós lhe ensinaram, que é uma criatura medieval: se comprar um berço cor de rosa para sua filha que vai nascer, dirão que é um patriarca ultrapassado... Mas, mesmo descontando esses exageros retóricos, cá entre nós, não é difícil imaginar que sua vida será bem parecida com toda essa doideira.

Voltando a 2020, chega a ser impressionante como muitos milhões de pessoas aceitam e sujeitam-se a essas imposições com a passividade de ovelhas, tamanho o choque subliminar de falsa cidadania a que foram submetidas! Mas, afinal, o que eles, os defensores da Nova Ordem, os globalistas pretendem? A resposta é tão simples quanto antiga e é a mesma dada para todos os totalitarismos, desde Adão e Eva: poder e riqueza à custa dos outros.

Em matéria de El País, de 4 de abril deste ano, intitulada Crises globais exigem soluções globais: é hora de criar uma Constituição mundial?, Braulio García Jaén relata a sugestão estapafúrdia de um grupo de filósofos e ativistas de criação de uma carta constitucional mundial, que acreditam terá o poder de servir de “bússola de todos os Governos, para o bom governo do mundo". Essa ideia não é de hoje, pois vem sendo forjada há anos, mas foi anunciada formalmente em Roma, em dezembro de 2019, quando o Covid 19 ainda era uma ameaça sem nome e sem reconhecimento oficial da elite do partido comunista que manda e desmanda na China há mais de 70 anos.

Os defensores da nova ordem não medem esforços para que seus reais intentos sejam vistos como bons para todos. Vejamos alguns desses exercícios.

Primeiro, segundo seu manual de engenharia social, é falso apresentar a catástrofe provocada pela pandemia como motivadora de um despertar para a realidade, em que, em meio ao caos, de maneira semelhante à imagem do pai como garantia de segurança, o Estado nacional é o garantidor último da sua população. Não, a solução dos juristas positivistas, filósofos materialistas e ativistas – todos esquerdistas – é bem diferente: uma Constituição da Terra como ferramenta de governança global. É o Direito como garantidor de seu globalismo autoritário.

Um dos principais nomes desse grupo internacional de insanos é o juspositivista florentino Luigi Ferrajoli (1940), tratado como uma grande referência teórica do chamado garantismo penal, para quem essa carta constitucional mundial não pode ser taxada como utópica: “Pelo contrário, é a única resposta racional e realista ao mesmo dilema que Thomas Hobbes enfrentou há quatro séculos: a insegurança geral da liberdade selvagem e o pacto de coexistência pacífica sobre a base da proibição da guerra e a garantia da vida”. Segundo esse semeador da visão autoritária do Direito como elemento de transformação social, “a Constituição do mundo não é o Governo do mundo, e sim a regra de compromisso e a bússola de todos os Governos para o bom governo do mundo”, em que o sujeito constituinte não é – vejam! - um novo Leviatã, mas todos os habitantes do planeta. Ele vai mais longe: “a unidade humana que alcança a existência política, estabelece as formas e os limites de sua soberania e a exerce com o propósito de continuar a história e salvar a Terra”,

A pandemia veio bem a calhar para assanhar os sábios que nos querem fazer felizes forçando-nos a nos comportar de acordo com o que o seu conceito peculiar de felicidade lhes dita. E, tirando proveito da situação excepcional que o mundo está experimentando, esses ventríloquos infundem em seus bonecos idiotizados que aceitar essa imposição é urgente.

“Há anos que se vem trabalhando em uma mesma direção, ainda que a partir de diferentes perspectivas, como a necessidade de um novo contrato social”, diz o ativista comunista Adolfo Pérez Esquivel, prêmio Nobel da Paz em 1980 e também proponente da aventura, afirmando que “agora, a necessidade é viral e vital”.

Querem juntar em um só papel as suas pautas politicamente corretas, como a salvação do meio ambiente, a Mãe Terra, a defesa dos “povos” indígenas, as variações climáticas, a obsessão pela Amazônia, a desigualdade, a religião única, a segurança dos imigrantes, a ideologia de gênero e o racismo, todas fantasiadas de solidariedade e bom-mocismo,
Globalistas menos insensatos opõem-se à ideia, como o jurista basco Josu de Miguel Bárcena, professor de Direito Constitucional da Universidade da Cantábria, que afirma que a Constituição da Terra já existe desde o fim da Segunda Guerra, com a carta das Nações Unidas, advertindo que, se já foi difícil afirmar uma noção básica de direito internacional para todos os povos, pretender implantar agora a Constituição da Terra é ingenuidade, acrescentando que o teor utópico dessa proposta é evidente.

Disso discordam os adeptos do constitucionalismo planetário, como Luis Arroyo Zapatero, professor de Direito Penal da Universidade de Castilla-La Mancha: “Se ao final da guerra nos falassem que hoje existiria uma Corte Penal Internacional, e que na Europa e América Latina a convenção dos direitos humanos iria se impor aos Estados, não teríamos acreditado”.

De Miguel rebate: “Os que idealizaram a Comunidade [Comunidade Econômica Europeia, embrião da UE] sempre evitaram a ingenuidade do momento utópico”, acrescentando que “Por isso pensaram no funcionalismo: começar com objetivos pequenos, consolidá-los, trabalhando pela integração e que a partir desses elementos a comunidade política seja criada”,

Ferrajoli, por sua vez, sustenta que “a Constituição Europeia fracassou pela “prevalência dos nacionalismos” e pelo “analfabetismo dos soberanistas”, como, segundo ele, Salvini na Itália e Orbán na Hungria, mas também pelos interesses dos “ricos” do norte. “Não há nenhum povo unitário, a vontade de povo é, por fim, a vontade do chefe”, diz, despudoradamente, Ferrajoli,

Esse expoente do garantismo penal (ou direito alternativo, ou direito relativista), que influencia fortemente a Justiça brasileira por meio de advogados, juízes, promotores, defensores e ministros de nossa corte suprema, vai mais longe. Para ele, as constituições não devem representar a vontade da maioria, mas assegurar a garantia de todos. E – vejam que tacada de engenharia social à custa da liberdade dos outros! - a Constituição Mundial seria o meio para obrigar a proteger o que afirma serem os “direitos fundamentais”, a saber, à igualdade, à garantia de não discriminação e à saúde, que não pertenceriam à “esfera do que não se pode decidir” e que não devem estar à mercê das maiorias. Porém, para não se dizer que está propondo uma ditadura mundial, assevera que está falando tão somente de um Estado mundial: “Cada país deverá poder continuar decidindo sobre o que se pode decidir”, ou seja, em sua magnanimidade, ele permite que todos os governos executem políticas que não violentam os “direitos fundamentais”. Em linguagem popular, é como se um censor estivesse dizendo para todos os músicos: vocês são livres para tocar qualquer música, desde que não seja do Ultraje a rigor, Barão Vermelho, Legião Urbana e Capital Inicial.

Com 3 bilhões de pessoas confinadas no mundo pela pandemia, na opinião desse senhor e seus macacos de auditório, somente “soluções globais” serão capazes de garantir nossa sobrevivência. E fulmina, tentando mostrar que é um campeão de boas intenções: “É absurdo que acumulemos armamentos para a guerra e que não acumulemos máscaras para uma pandemia”. Reconhece – e com que arrogância! - que a comunidade internacional ainda não está suficientemente madura para absorver os fluídos de sua genialidade, afirmando: “Não sou tão ingênuo, é um processo que levará muitos anos, mas é preciso lançar o debate público”. Vou ser bastante franco, como é meu hábito: não consigo enxergar um senhor com tais ideias como um professor respeitável de Direito, um jurista verdadeiro, vejo-o muito mais como um deputado do PSOL, do PCdoB ou do PT, daqueles acostumados a tumultuarem as sessões na Câmara.

Mas, infelizmente, a verdade é que o maldito vírus pode de fato contribuir para mudar fortemente a ordem internacional estabelecida após a Segunda Guerra. Estamos assistindo a um cabo de guerra entre, de um lado, o multilaterismo da União Europeia (liderada pela Alemanha, porém enfraquecida pelo Brexit), da ONU e seus tentáculos vermelhos, como a OMS e o Comitê de Direitos Humanos, da cada vez mais assanhada China e, do outro lado, o unilateralismo liderado por Donald Trump e apoiado pela Grã-Bretanha, Rússia e governos do Brasil e de outros países não alinhados com a esquerda internacional.

A ditadura - camuflada de democracia - sediada naquele luxuoso prédio de Bruxelas vem experimentando dificuldades crescentes para sobrepor-se a Trump. O republicano, desde que assumiu o poder, em 2017, vem escorraçando vários redutos globalistas, como OTAN, OMC e os fanáticos das conferências climáticas e diversos fóruns, como o de São Paulo. Os globalistas, ardilosamente, vinham evitando entrar em choque aberto com Trump, tentando preservar o que lhes resta, na esperança de que a Casa Branca voltasse a ser ocupada por um fiel companheiro da linhagem dos Obama e Clinton. Por outro lado, tinham consciência de que o processo de implantação de uma Constituição Mundial exige a adesão dos Estados nacionais, ou seja, que é preciso, antes, ser combinado e aceito pelos russos...

Porém, não veio da Rússia o meio de que necessitavam para acelerar seu intento, mas da China, claramente, na forma da pandemia. Abstendo-nos de especular sobre a origem do vírus, ou seja, se foi casual, com uma simples e asquerosa sopa de morcegos, ou se foi criado deliberadamente em laboratório para ser espalhado pelo mundo e criar terror, pânico e terremotos econômicos, a verdade é que a balbúrdia veio bem a calhar para os globalistas e para o Partido Comunista Chinês.

Por tudo isso, momento é de alerta para todos os que prezam as liberdades individuais, os valores morais herdados dos antepassados e a livre iniciativa. O globalismo é uma verdadeira praga, uma peste de centralização política, em que todos os países e todos os cidadãos devem sujeitar-se a um governo mundial, um acordo não espontâneo e imposto de cima para baixo para servir aos interesses de políticos, ideólogos e burocratas.

A concentração de poder em mãos de políticos dentro de um país sempre foi, comprovadamente, desastrosa, mas o desastre será muito maior se aceitarmos que seja estendida aos cidadãos de todo o mundo, vergando-os aos ditames da chamada agenda politicamente correta de um pequeno grupo de privilegiados. A diferença do globalismo em relação a todos os regimes totalitários do século XX é que sua implantação não exigirá extinguir milhões de vidas, nem confiscar todas as propriedades, mas apenas ditar regras de conduta que assassinam a liberdade e punir os países que não as aceitarem.

Acorde, é a sua liberdade, bem como a sua própria dignidade como pessoa humana, que está ameaçada. Acorde, levante-se e ande, rejeitando a agenda globalista maldita.

Ubiratan Iorio

UBIRATAN IORIO, Doutor em Economia EPGE/Fundação Getulio Vargas, 1984), Economista (UFRJ, 1969).Vice-Presidente do Centro Interdisciplinar de Ética e Economia Personalista (CIEEP), Diretor da Faculdade de Ciências Econômicas da UERJ(2000/2003), Vice-Diretor da FCE/UERJ (1996/1999), Professor Adjunto do Departamento de Análise Econômica da FCE/UERJ, Professor do Mestrado da Faculdade de Economia e Finanças do IBMEC, Professor dos Cursos Especiais (MBA) da Fundação Getulio Vargas e da Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro, Coordenador da Faculdade de Economia e Finanças do IBMEC (1995/1998), Pesquisador do IBMEC (1982/1994), Economista do IBRE/FGV (1973/1982), funcionário do Banco Central do Brasil (1966/1973). Livros publicados: "Economia e Liberdade: a Escola Austríaca e a Economia Brasileira" (Forense Universitária, Rio de Janeiro, 1997, 2ª ed.); "Uma Análise Econômica do Problema do Cheque sem Fundos no Brasil" (Banco Central/IBMEC, Brasília, 1985); "Macroeconomia e Política Macroeconômica" (IBMEC, Rio de Janeiro, 1984). Articulista de Economia do Jornal do Brasil (desde 2003), do jornal O DIA (1998/2001), cerca de duzentos artigos publicados em jornais e revistas. Consultor de diversas instituições.

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