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07 Jul 2020

O EXEMPLO DE SÃO PAULO - O SANTO, CLARO

Escrito por 

Contrariamente, parece estarem permanentemente motivados em assegurar o atendimento dos seus interesses e/ou daqueles que integram seus grupos.

 

Meus amigos.

Estou relendo o livro Paulo de Tarso (*), um de algumas dezenas de livros de autoria de Huberto Rohden.

Criei o hábito, ao longo dos meus tempos, de, ao ler um livro cujo conteúdo é mais denso e cuja leitura pode trazer alguns ensinamentos para a minha vida futura, se constituindo em referência para a construção de minhas decisões, destacar com um marcador de texto aquelas passagens, aquelas reflexões, que se me apresentem como merecedoras de atenção especial.

Quando possível, depois de algum temo, entre a leitura de dois livros novos, releio aquele, concentrando minha atenção exatamente naquelas partes destacadas.

Relendo esses dias sobre a vida de Saulo, me deparei com um trecho que gostaria de compartilhar com os amigos, porque as reflexões neles contida, ressaltam, de forma constrangedora, a pequenez dos nossos homens públicos

Nos conta Rohden que, Saulo, chegando com Barnabé à Antioquia da Psídia, situada na parte meridional da província romana da Galácia, procurou hospedagem em uma tecelagem, uma vez que considerava que um tecelão, companheiro de profissão, lhe permitiria trabalhar para prover seu sustento, enquanto estivesse na cidade.

Nas palavras de Rohden:
“ Em teoria, defende ele e com toda a insistência, o princípio de que o operário evangélico tem o direito de ser sustentado pelos fieis: pois quem, de graça, dá o alimento espiritual, de graça pode receber o alimento material”.
E continua:
“Na prática, porém, por via de regra, não aceita sustento do seu rebanho, faz questão de honra de (agora na fala de Saulo) não ser pesado para ninguém a fim de não desvirtuar o evangelho do Cristo.
Rohden prossegue:
“Prefere trabalhar até altas horas da noite e cair exausto sobre os novelos de pelo caprino a abrir mão da “glória” de anunciar a todos gratuitamente a boa nova da redenção”.

Rohden conclui se valendo novamente das palavras de Saulo:
Tudo me é lícito – escreve ele – mas nem tudo convém.

Meus amigos, veja que coisa fantástica.

Saulo entendia como absolutamente pertinente que ele aceitasse apoio material daqueles que, na sua visão iriam receber, dele, ensinamentos que, no seu entender, seriam da maior relevância para a vida de cada um. No entanto, fazia questão de trabalhar e trabalhar com afinco, para obter o seu sustento e não desqualificar sua missão.
Se me pagam para pregar, eu não estarei fazendo nada demais. Estarei retribuindo com minha pregação o que me pagaram para fazer.
Ocorre que eu sou voluntário para repassar a mensagem do Cristo. Não posso cobrar por isso. Desqualificaria a minha missão.

Tchã, Tchã, tchã, tchã. Deixo a seu critério concordar, ou não com esse paralelo que submeto, agora, à sua reflexão.

Nossos políticos, sejam aqueles que ocupam cargos do legislativo, sejam aqueles que vestem os cargos eletivos do executivo, se oferecem, quase imploram, para que sejam guindados a estes cargos, porque eles querem, anseiam, por dedicarem toda a sua energia, competência, entusiasmo, no afã de perseguirem, obstinadamente, a busca de solução dos problemas da sociedade, da satisfação dos seus interesses, atendimento dos seus reclamos.

No entanto, diferentemente do Saulo de Tarso, fazem questão absoluta de serem merecedores de pagamento pelo que vierem a fazer. Não tem o menor pejo de que se pense que isso poderia desqualificar o seu trabalho. Contrariamente, se empenham em criar circunstâncias que os favoreçam substancialmente, seja agregando benefícios financeiros aos seus cargos, seja criando condições melhores para que não corram risco de perder seus cargos no futuro.

Ah! E não se trata de qualquer retorno pecuniário não. Há que ser algo substancioso. Para uma grande parcela deles, muito mais do que receberiam se estivessem envolvidos em outra atividade profissional, se é que não estariam desempregados.

Pior, em parcela ponderável do seu efetivo, não trabalham para a busca da solução dos problemas da sociedade, do atendimento de suas necessidades, da satisfação dos interesses dessa sociedade.

Contrariamente, parece estarem permanentemente motivados em assegurar o atendimento dos seus interesses e/ou daqueles que integram seus grupos.

Com que adjetivo, prezado leitor, você qualifica este comportamento? Não, não precisa falar alto. Só pensa.

Fico imaginando: se Saulo estivesse por aqui, que profunda tristeza o acometeria.


(*) Paulo de Tarso – Rohden, Huberto – Editora Alvorada – 9ª Edição - 1991

Última modificação em Terça, 07 Julho 2020 17:53
Mario de Oliveira Seixas

Mario de Oliveira Seixas é General-de-Brigada, na reserva do Exército brasileiro. Realizou todos os cursos militares, nos níveis de graduação, mestrado e doutorado, assim como o Curso de Política, Estratégia e Alta Administração do Exército, o de mais elevado nível da carreira. É engenheiro de telecomunicações formado pelo Instituto Militar de Engenharia. No exterior, cursou o British Army Staff College (curso de Comando e Estado-Maior do Exército Britânico) e a Defence School of Language (curso da língua inglesa). Na PUC-Rio, especializou-se em Educação à Distância. Na FAAP, em São Paulo, realizou o Curso de MBA em Excelência Gerencial, com Ênfase na Gestão Pública. De 2005 à 2009 foi o Secretário Municipal de Cooperação nos Assuntos de Segurança Pública da Cidade de Campinas - SP. De 2009 a 2018 foi Superintendente Geral da entidade Movimento Vida Melhor - MVM, em Campinas - SP, cujo propósito é retirar das ruas da cidade adolescentes em risco social.

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