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07 Jul 2020

O "VOTO ÚTIL" E O VOTO ÚTIL

Escrito por 

E nas eleições presidenciais subsequentes que aparece o tal do "voto útil".

 

Em 1989, participei, pela primeira vez na vida, de uma eleição presidencial. Eram as primeiras eleições diretas para Presidente do Brasil, desde a chamada "redemocratização".

Naquela eleição, escolhi e votei no candidato Mario Covas (PSDB). Estavam na corrida presidencial Brizola, Ulisses Guimarães, Collor, Lula, Maluf, Afif, Enéas, entre outros candidatos.

E me lembro que se estabeleceu, durante a campanha eleitoral, uma polarização entre o "caçador de marajás, Collor, e Lula, então deputado federal. Os demais candidatos, por assim dizer, corriam por fora mas com poucas, ou nenhuma chance de sucesso.

Sem entrar nos pormenores das duas candidaturas que se destacavam, Collor me passava a impressão de pouca confiança. Seu estilo "cão farejador" de corrupção e outras malversações no mundo político, me soavam falso. Por outro lado, Lula, pra mim, era o "representante" o revolucionário, o comunista. E isso não me parecia bom.

Assim, optei por Covas. Um candidato com jeitão de honesto, cara de vozão (eu tinha 19 anos!!!) e um discurso que me cativou pela aparência de sinceridade.

Mas o final daquela eleição, todos sabemos como foi.

E o tema destas linhas?

Estarei a seguir, sempre fazendo referência a mim. Importante frisar.

O voto no Covas, de certo modo, descompromissado. Havia em mim, muito mais um frenesi em participar da eleição, do que com os "destinos do país". Mas não me arrependo, pois esse fato faz parte da minha história, faz parte de quem eu sou hoje. Vivendo e aprendendo!!!

E nas eleições presidenciais subsequentes que aparece o tal do "voto útil".

Em 1994, FHC e Lula polarizaram a eleição. Lula, nem pensar. PT, jamais. Por quê? Pelo seu discurso anacrônico, retrógrado, coletivista. Enfim, eu tinha muito receio do petismo. Por outro lado, não conhecia, nem simpatizava com outros candidatos: FHC, Enéas, Orestes Quércia, Brizola, e outros menores. Os nominados eram, nas minhas parcas convicções, ou ilustres desconhecidos, ou já tinha "ouvido" histórias de suas vidas políticas com as quais eu discordava. Mas meu antipetismo era o que me guiava, minha bússola espiritual. Então, precisa escolher o candidato que pudesse vencer Lula. No caso, FHC. Meu primeiro "voto útil".

No ano de 1998, com o Plano Real mudando a história do país, para melhor, minha escolha recaiu, mais facilmente em FHC. Na reeleição. A despeito das denúncias de "compra" de votos para aprovar no Legislativo, mudança na Lei Maior que permitisse um segundo mandato ao tucano. Mas o negócio era manter o PT longe do poder. Foi meu segundo "voto útil".

Mas em 2002, aconteceu o pior. Lula foi eleito, com um discurso de mudanças nos rumos do país. Eram os tempos do "Lula Paz e Amor", que cativou o mercado e alavancou sua eleição. Pobre Brasil. Ainda assim, nutria uma alma anti-petista e cravei meu terceiro "voto útil": José Serra. E eu o achava extremamente antipático. E já conhecia, um pouco, do tucanato. Mas o negócio era o anti-PT. Então..............

E chegamos em 2006. E Lula concorria a reeleição, com popularidade em alta. Ao menos, aparentemente. O que fazer? Meu sonho era defenestrar, democraticamente, o apadeuta de Garanhuns e sua trupe, do poder. O "mensalão" já corria solto. Eram os "mal feitos" petistas, nas narrativas lulistas. Ah, tá!!! O que fazer? "Voto útil". Heloísa Helena, nem em sonho. Cristovam Buarque, nunca. E outros nanicos: Eymael, Bivar.....restava o tucano Geraldo. Oh, my God!!! E lá fui eu com meu terceiro "voto útil" escolher o Alckmim. O negócio era "fora PT".

2010 e mais uma eleição presidencial. E o PT lança a então desconhecida Dilma. Com popularidade em alta, não foi difícil Lula projetar a candidatura da futura "ensacadora de vento". Marina, Plínio Arruda e, novamente, os nanicos Eymael, Fidelix, Rui Costa...........e, novamente, o "simpático" tucano Serra, único com chances de vencer o "poste" petista. Só que não. E usei meu quarto "voto útil". Votei Serra. Fazer o que?

E chegou 2014. Quem sabe poderia não usar meu quinto "voto útil". Que nada. A "presidenta", que saudava a mandioca, era forte candidata a reeleição. Quem poderia parar o PT? Snif, snif..........o PSDB. E votei no mineiro Aécio, sem nenhuma convicção. Coisa feia né? Mas, pra mim, feio mesmo era votar no PT.

Confesso meu total desanimo para o pleito de 2018. Via Haddad, Ciro e Alckmin como potenciais candidatos ao segundo turno e, um deles, emplacaria a faixa presidencial.

Então tomei uma decisão!!! Iria, pela primeira vez desde Covas, dar utilidade ao meu voto para presidente. Decidi que votaria NULO. E pronto.Amoedo, Daciolo, Alvaro Dias, Henrique Meirelles, Boulos........não. Nenhum deles, isso com certeza.

Já sabendo um pouco mais de política, entendia que Haddad, Ciro e Alckmin era tudo farinha do mesmo saco. Escolher um deles, seria escolher, indiretamente, os outros dois. Tudo lixo.

Restava o capitão. E Bolsonaro? No começo de 2018, sua candidatura era vista como patética, pífia. E as primeiras "pesquisas" corroboravam aquelas visões.

Mas eis que o Messias começa a encorpar sua candidatura, com um discurso conservador. Valorizando Deus, família, propriedade, contra o aborto, democracia, liberdade de imprensa e opinião, e outros temas, de caráter costumeiro, caros aos conservadores. E Bolsonaro se torna o candidato anti-PT. Mas agora, com um discurso que realmente sensibilizava a maioria dos brasileiros. Que nos conquistava na alma. No coração. Não era apenas um candidato anti-PT, por ser anti-PT. Era um candidato, realmente, preocupado com o Brasil.

E Bolsonaro me cativou. Seu discurso, suas crenças, sua família, seus valores, coincidiam com os meus. Com o dos brasileiros, ainda que alguns não se entendam conservadores, mas vivam como tais.

Pensei: vou votar no Bolsonaro por convicção. Com certeza. Sem tibieza. Sem querer ser anti-PT, apenas. Queria escolher um PRESIDENTE.

E pela primeira vez, desde 1989, usei um voto útil. Útil ao Brasil. Útil aos brasileiros. Útil a nossa história. Útil aos nossos costumes e tradições.

Neste sentido, Celso de Mello, do "stf", fez um enorme favor ao Brasil: ao determinar a violação de uma reunião privada, da mais alta cúpula administrativa do país, obrigando a divulgação da íntegra do vídeo de uma reunião do presidente Bolsonaro com seus Ministros, assistimos todos, inegavelmente, um HOMEM de palavras, comprometido com a verdade, comprometido com suas ideias de campanha, comprometido com o povo brasileiro. Assistimos o presidente Bolsonaro REAFIRMANDO seus compromissos éticos e morais com nós, os cidadãos do BRASIL.

Aquele vídeo, sem sombra de dúvidas, mostrou o quão certo, o quão ÚTIL, foi o meu voto em Bolsonaro, o voto de quase 58 milhões de brasileiros. E o quão ÚTIL é o atual governo, para todos os brasileiros, e, naturalmente, assim como para os que nele não votaram, e também para os que o tratam com desdém, desprezo e achincalhe.

Que bom foi votar em JAIR MESSIAS BOLSONARO.

Que bom foi dar um VOTO ÚTIL.

ÚTIL AO BRASIL!!!

 

FONTE: BLOG DO SEIXAS - seixasbrasil.blogspot.com

Alexandre Seixas

O Prof. Alexandre M. Seixas é formado em Direito pela PUC de Campinas, tendo realizado o curso de Aperfeiçoamento em Ciências Sociais, e Mestrado em Ciência Política na Unicamp. Realizou ainda os cursos de inglês, na Surrey Heath Adult Education Center, em Camberley, Inglaterra. É professor universitário com vinculação em Teoria Geral do Estado e Ciência Política.

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